Já falamos aqui no blog sobre o que é ser nômade e como se tornar um. E, certamente, tudo parece muito bom e tentador. Porém, há algumas grandes dificuldades que precisam ser superadas para quem quer seguir esse estilo de vida. E o tema de hoje é justamente esse: os desafios de ser um nômade digital.

O número de pessoas que estão optando pela vida nômade tem crescido muito nos últimos anos, especialmente em outros países. É possível encontrar, facilmente, diversos relatos, reportagens, blogs etc. Isso faz com que muita gente sonhe em seguir o mesmo exemplo. Eu, particularmente, acho fantástico. Mas é preciso ser consciente antes de “jogar tudo para o alto” e seguir mundo afora. Antes de qualquer coisa, é fundamental colocar todos os prós e contras na balança para ver se esse estilo de vida realmente pode funcionar para você.

Apesar de ser uma aventura, é preciso ser uma aventura bem planejada para não se tornar um desastre. Algumas situações são bem particulares, por isso alguns desafios podem ser maiores ou menores para cada pessoa. Mas reuni aqui algumas das dificuldades mais comuns, que quem deseja entrar na vida nômade deve levar em consideração.

 

Renda / trabalho

Como mencionamos no post sobre como ser um nômade digital, um dos pré-requisitos fundamentais é ter uma fonte de renda que permita viajar mundo afora sem um trabalho fixo. Inclusive já fizemos também um post sobre opções de trabalho home office.

No entanto, a maior parte dos trabalhos que se incluem nessa categoria são os freelancers, ou seja, sem um contrato ou vínculo de trabalho. Isso é ótimo por ter flexibilidade e dar a liberdade necessária para seguir esse estilo de vida, mas, por outro lado, tem a desvantagem de ser algo incerto. Isso porque um mês pode ser cheio de trabalho, e o outro nem tanto. Mesmo contratos mais fixos podem se encerrar a qualquer momento sem nenhuma reserva, por não existir esse vínculo da CLT.

Por isso, seja consciente sempre. Faça uma reserva financeira para os possíveis meses de renda menor e tenha um bom planejamento de gastos.

 

Internet / Wi fi

Qualquer pessoa que trabalha em home office sabe o quanto a Internet é fundamental. Não somente ter Internet em si, mas ela precisa ser de qualidade. Se essa é a sua situação, na hora de planejar cada destino verifique se o lugar onde ficará hospedado fornece internet, pergunte a qualidade e explique sua situação.

Caso vá ficar em locais que não tenha internet ou que ela não seja muito estável, considere fechar algum pacote de dados que te atenda.

 

Documentos e vistos necessários

Para quem deseja se aventurar por vários países, é preciso lembrar que há uma série de documentos e vistos necessários. E, em vários casos, exigem um planejamento com certa antecedência.

Pesquise atentamente cada um dos destinos que pretende visitar. Há muitas particularidades, mas algumas das questões são: exigência de visto, prazo máximo de permanência, exigência de vacinas específicas, impostos e autorizações para quem trabalha (mesmo que remotamente) durante a estadia no local etc.

 

Como movimentar dinheiro

Essa é uma questão importante para quem pretende passar médios / longos períodos em outros países, com a fonte de renda ainda aqui no Brasil. Certamente, não será viável levar todo o dinheiro para o período de permanência em espécie, tanto por questão de segurança quanto pelo fluxo de caixa.

Então é preciso avaliar as opções que viabilizem essa movimentação. Pode ser com a abertura de uma conta bancária no local, por sistemas como PayPal, ou até mesmo empresas como a TransferWise. Seja qual for a opção, considere todas as implicações: documentos necessários, taxas, prazos etc.

 

Equilíbrio vida pessoal x trabalho

Um dos pensamentos mais frequentes quando se pensa em vida nômade é achar que se trata de férias permanentes. Claro que, para quem não precisa mais trabalhar e tem outras formas de rendas que permitam isso, pode até ser. Mas na maior parte dos casos, a realidade é outra.

É preciso separar o tempo necessário para o trabalho, tendo sempre em mente que isso é fundamental sobreviver financeiramente onde quer que seja. Mas reserve também tempo suficiente para conhecer e aproveitar o lugar que você está visitando.

É preciso ter essa consciência até mesmo na etapa do planejamento. Pense que, se num período de férias, X dias são suficientes para conhecer tudo de um determinado local, você certamente precisará de bem mais do que isso, já que não terá todos os dias livres para explorá-lo.

 

Falta de uma casa permanente

Por mais que seja algo óbvio, é sim uma questão importante a se considerar. Afinal, com que frequência escutamos comentários como “não existe lugar como o nosso lar”, ou “viajar é bom, mas chegar em casa é melhor ainda”. Isso é algo inevitável, é cultural. Muitas vezes nos apegamos a detalhes daquilo que consideramos nosso lar e quando nos afastamos deles, sentimos falta de casa.

Para quem vive na estrada, e morando períodos em cada lugar, esse conceito de lar acaba não existindo. E isso pode ser complicado, especialmente dependendo do quando a pessoa de fato necessita disso.

 

Estar longe de amigos e família

Acho que essa é uma das questões que mais pesa, especialmente para quem sempre morou perto da família, amigos de longa data etc. Para tentar amenizar esse problema, uma possibilidade é tentar incluir visitas com certa frequência à sua cidade original, para rever as pessoas.

E entre uma visita e outra, ou até mesmo quando as distâncias não permitirem visitas tão regulares, use e abuse da tecnologia. Felizmente hoje em dia com Internet e um notebook ou smartphone, podemos conversar com voz e com vídeo a qualquer momento. Pode não ser a mesma coisa, mas certamente ajuda bastante.

 

Desapegar e ser minimalista

Você já parou para pensar em quantas coisas acumulamos quando moramos em um lugar fixo? Mesmo que não tenhamos o espírito acumulador, isso acontece de uma forma inevitável. Mantemos mais roupas do que precisamos, mais papeis, mais objetos, enfim… Para ser nômade, isso não é possível!

É preciso saber aquilo que é realmente fundamental e necessário. E é importante ter coisas versáteis, que podem ser usadas em várias ocasiões. Se isso já é um desafio, o problema é ainda maior para quem morava em um lugar fixo antes e já acumulou muitas coisas por anos. A tarefa de desapegar e abrir mão dos excessos não é fácil.

 

Plano de saúde

A saúde é algo que deve ser sempre uma prioridade. Por isso, na hora de pensar na vida nômade, é preciso encontrar uma forma de garantir uma certa segurança nesse quesito. Para quem já tem um plano de saúde, é preciso verificar a abrangência de sua cobertura. Alguns são bem regionais e não atenderão em outras cidades ou estados.

Para quem planeja ampliar ainda mais os horizontes e sair do País, essa questão é ainda mais delicada. São raros os planos com cobertura internacional, e em muitos países é fundamental ter um seguro saúde. Nos Estados Unidos, por exemplo, não existe a saúde pública no formato que conhecemos aqui, e tudo é muito caro. Já os países da Europa que fazem parte do Espaço Schengen exigem o seguro saúde numa cobertura mínima de 30.000 euros.

Por isso, analise com cuidado essa questão e as particularidades de cada destino que você pretende incluir no seu roteiro.

 

Seguro de bens e equipamentos

Outro desafio de estar sempre “na estrada” é o risco de perder equipamentos fundamentais para o dia a dia. Os nômades, na maior parte do caso, dependem da tecnologia para trabalhar, se comunicar e tudo mais. Então celulares, notebooks, câmeras e tudo mais são absolutamente indispensáveis.

E se já existe um risco de alguém roubar esses equipamentos dentro das nossas casas, dá para imaginar o quanto esse risco aumenta ao carregar por tanto tempo eles com a gente né?

Então é necessário alguma estratégia para não “ficar na mão”. Uma solução pode ser fazer um seguro para os equipamentos mais caros. Mas, além disso, tenha sempre um backup de tudo, pode ser algo feito de forma automática na nuvem por exemplo. Pois sabemos que as perdas materiais são ruins, mas muitas vezes perder conteúdos pode ser ainda pior.